Pular para o conteúdo

vigíliasegundo turno · 25/10/2026

o que o plano de Flávio Bolsonaro não diz

O salário mínimo de quem trabalha

61,9 milhões

de brasileiros têm a renda ligada ao salário mínimo. O plano de governo de Flávio Bolsonaro não tem uma linha sobre como o mínimo vai subir.

DIEESE, Nota Técnica 289, dez. 2025, tabela 1.

61,9 milhões de pessoas, um quadrado para cada 100 mil, divididas pelos grupos da tabela abaixo.
  • 29,3 mi aposentados, pensionistas e BPC do INSS
  • 17,7 mi empregados
  • 10,8 mi trabalhadores por conta própria
  • 3,9 mi empregados domésticos
  • 0,4 mi pequenos empregadores
Cada quadrado, 100 mil pessoas com renda de até um salário mínimo. DIEESE, Nota Técnica 289, dez. 2025, com dados da PNAD Contínua e da Previdência. Os grupos, arredondados na fonte, somam 62,1 milhões.

O que perde quem ganha um mínimo

Se o mínimo subir só pela inflação a partir de 2027, quem ganha um salário mínimo deixa de receber

−R$ 4.560

de 2027 a 2030, com o 13º, em reais de hoje. Pelo menos R$ 2.718, 2,9 cestas básicas, mesmo com o menor aumento que a lei permite depois de 2027. Ninguém corta o salário: só não vem o aumento acima da inflação que a lei de hoje garante.

quanto deixa de entrar por mês, abaixo do que a lei de hoje daria

  1. 2027 −R$ 37
  2. 2028 −R$ 70
  3. 2029 −R$ 104
  4. 2030 −R$ 139

Por mês, em reais de hoje. A lei de hoje (Lei 14.663/2023, com o teto da Lei 15.077/2024) dá ao mínimo a inflação mais o crescimento do PIB, com aumento real entre 0,6% e 2,5% até 2030. Em 2027 o aumento real já está dado: 2,3%, e o projeto de orçamento prevê mínimo de R$ 1.741. De 2028 a 2030 a conta usa 2% ao ano.

o documentoDecreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025: a partir de 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo será de R$ 1.621,00; o valor diário, R$ 54,04, e o horário, R$ 7,37. (ampliar o documento; abre em outra aba)
Toque no documento para ampliar. Diário Oficial da União, 24/12/2025, Seção 1, p. 12: o decreto do mínimo de 2026.

Quem depende do mínimo

Pessoas com renda de até um salário mínimo, em milhões. DIEESE, Nota Técnica 289, dez. 2025, com dados da PNAD Contínua e da Previdência.
aposentados, pensionistas e BPC do INSS29,3
empregados17,7
trabalhadores por conta própria10,8
empregados domésticos3,9
pequenos empregadores0,4
no total61,9
Operário de colete refletivo carregando tijolos no ombro, contra uma parede clara.
Trabalhador da construção civil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O que sobe junto com o mínimo

  • O abono salarial, de até um mínimo por ano, para cerca de 25,5 milhões de trabalhadores de carteira que ganham pouco, em 2026.
  • O seguro-desemprego, que nunca paga menos que um mínimo, para 7,9 milhões de pessoas previstas em 2026.
  • Aposentadorias, pensões e o BPC (o benefício de um mínimo pago a idosos e pessoas com deficiência pobres) de quem recebe o piso: 29,3 milhões de pessoas.

Cada R$ 1 a mais no mínimo custa ao governo, em 2027, R$ 308,4 milhões em aposentadorias, R$ 74,0 milhões no BPC, R$ 20,0 milhões no abono e R$ 10,2 milhões no seguro-desemprego (PLDO 2027, o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, Anexo de Riscos Fiscais, tabela 10). É por isso que o mínimo é a primeira despesa que um corte grande alcança.

A equipe de Flávio estudou corrigir aposentadorias e BPC só pela inflação, numa “Super PEC da Transição”. O que está nela →

já aconteceu

De 2020 a 2022, o mínimo subiu 0,06% acima da inflação. De 2023 a 2026, 11,5%.

Nos três primeiros, o reajuste só repôs a inflação, sem regra de aumento real. A conta de 2023 a 2026 inclui o reajuste de janeiro de 2023, fixado em dezembro de 2022 por medida provisória do governo Jair Bolsonaro (1,4% acima da inflação); o resto veio com a regra de valorização de 2023. O reajuste de 2026 pôs R$ 81,7 bilhões a mais na economia, segundo o DIEESE.

Fontes

  1. DIEESE, Nota Técnica nº 289, “Impactos do aumento do salário mínimo para R$ 1.621,00 em 2026”, 22/12/2025, p. 2-4 e anexo, tabela 1 (ganho real de cada reajuste; os acumulados são conta nossa).
  2. Ministério do Planejamento, PLDO 2027, Anexo V (Riscos Fiscais), tabela 10, p. 22; Anexo IV.14 (avaliação atuarial do FAT), quadros 8 e 9.
  3. PLOA 2027, Mensagem Presidencial, p. 114 e 146 (mínimo de R$ 1.741).
  4. Lei 14.663/2023, art. 3º; Lei 15.077/2024, art. 4º; Decreto 12.797/2025 (mínimo de 2026), Diário Oficial da União, 24/12/2025, Seção 1, p. 12.
  5. Flávio Bolsonaro, Para o Brasil vencer o atraso, plano de governo: a expressão “salário mínimo” aparece uma vez, como medida de renda (p. 29), sem regra de reajuste.
  6. Cesta básica de São Paulo em setembro de 2026: DIEESE.
  7. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil, reprodução autorizada com indicação da fonte; duotone da Vigília.

Mande esta conta para quem vai votar:

Mandar pelo WhatsApp