aposentadoria de um salário mínimo · se Flávio Bolsonaro for eleito
Sua aposentadoria vai comprar menos?
−R$ 4.560
é o que a aposentadoria de um salário mínimo deixa de receber de 2027 a 2030, com o 13º, se o reajuste for só pela inflação, que é o que a equipe de Flávio Bolsonaro estudou, segundo a imprensa. Pelo menos R$ 2.718.
Ninguém precisa cortar a sua aposentadoria para ela comprar menos: basta não vir o aumento acima da inflação.
↓ A “Super PEC da Transição”: os aposentados na mira desde o primeiro anoO que R$ 4.560 compram hoje
- 4,9 cestas básicas
- 40 botijões de gás
- 53 meses de remédio de pressão, diabetes e colesterol
quanto deixa de entrar por mês, abaixo do que a lei de hoje daria
- 2027 −R$ 37
- 2028 −R$ 70
- 2029 −R$ 104
- 2030 −R$ 139
Por mês, em reais de hoje. Em 2027 o aumento real já está dado pela lei: 2,3%, o crescimento do PIB de 2025 — é o mínimo de R$ 1.741 do projeto de Orçamento, contra R$ 1.702 só com a inflação. De 2028 a 2030 a conta usa 2% ao ano.
Acima de um salário mínimo, a aposentadoria já é corrigida só pela inflação, em qualquer governo: a mudança estudada não altera o seu valor. Ela altera o de quem ganha um salário mínimo — sete em cada dez aposentados e pensionistas.
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a “Super PEC da Transição” · estudada pela equipe de Flávio Bolsonaro, segundo a Folha
Os aposentados na mira desde o primeiro ano
- Aposentadorias do INSS e BPC (o benefício de um salário mínimo pago a idosos e pessoas com deficiência pobres) corrigidos só pela inflação, sem o aumento acima dela que o salário mínimo tem pela lei de hoje. Para quem ganha um mínimo, R$ 4.560 a menos de 2027 a 2030; pelo menos R$ 2.718.
- Os pisos da saúde e da educação também só pela inflação: R$ 23 bilhões a menos no primeiro ano, R$ 145 bilhões no último ano da década.
- Cerca de 2% do PIB em despesas obrigatórias, perto de R$ 250 bilhões por ano.
Uma PEC da Transição (proposta de emenda à Constituição) é votada antes da posse, para valer desde o primeiro orçamento. Foi assim em dezembro de 2022.
Folha de S.Paulo, 07-08/10/2026, via InfoMoney, 08/10/2026.
Por que o Tesouraço precisaria disso: a conta inteira →Já aconteceu: quem fica só na inflação fica para trás
A média ficou para trás porque quem ganha acima do mínimo só repõe a inflação, e porque as aposentadorias novas, depois da reforma de 2019, são menores (IFI, Senado). E o próprio mínimo: nos reajustes de 2020 a 2022, 0,06% acima da inflação, somados; de 2023 a 2026, 11,5% (DIEESE). A conta de 2023 a 2026 inclui o reajuste de janeiro de 2023, fixado em dezembro de 2022 por medida provisória do governo Jair Bolsonaro (1,4% acima da inflação).
Quem depende do mínimo
Boletim Estatístico da Previdência Social, junho de 2026; IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025 (dados de 2024).
O que cada lado diz e fez
- ago. 2023 · governo Lula A lei volta a dar ao mínimo a inflação mais o crescimento do PIB (Lei 14.663/2023).
- dez. 2024 · governo Lula Põe teto de 2,5% no aumento real até 2030 (Lei 15.077/2024). O mínimo de 2026 ficou R$ 15 menor que pela regra cheia (DIEESE). Também aperta a revisão do BPC e o pente-fino do INSS.
- abr. 2026 · equipe de Flávio Avalia reajustar gastos sociais só pela inflação (Correio Braziliense, 22/04).
- ago. 2026 · governo Lula O projeto de Orçamento de 2027 prevê mínimo de R$ 1.741, com 2,3% acima da inflação.
- set. 2026 · Daniella Marques, coordenadora econômica “Vamos usar de inspiração no que foi feito pelo governo de Javier Milei” — sobre revogar normas e reduzir burocracia e impostos; não falou de aposentadoria (Exame, 14/09).
- out. 2026 · equipe de Flávio Estuda pacote de até R$ 250 bilhões, com aposentadoria e BPC desvinculados do aumento real do mínimo (Folha, via InfoMoney, 08/10).
Nenhum dos dois candidatos tem compromisso escrito sobre o aumento real além da lei em vigor, que vale até 2030 e pode ser mudada.
O argumento a favor da desvinculação, e a resposta
O custo é real
A Previdência custou R$ 1,03 trilhão em 2025, 42,9% da despesa do governo (IFI). Com aumento real, chega a 12,3% do PIB em 2060; só com a inflação, a 9% (projeção oficial do governo). E a pobreza entre os idosos (8%) é muito menor que entre as crianças (cerca de 40%) (IBGE).
A resposta
O estudo técnico da Câmara dos Deputados sobre o tema diz que a desvinculação traria “queda real do poder aquisitivo da grande maioria dos beneficiários, especialmente os de menor renda” (Estudo 32/2025). O idoso é pouco pobre justamente por causa do piso de um mínimo. O custo existe; a eleição decide quem o paga.
E o remédio
- R$ 64,8 a 70,5 bilhões De 2018 a 2022, com o teto de gastos, o SUS recebeu de R$ 64,8 a 70,5 bilhões a menos do que pela regra anterior, de 15% da receita (Ipea, Nota Técnica 109: R$ 64,8 bilhões em valores nominais, já sem os créditos extraordinários da covid; R$ 70,5 bilhões sem também a verba da covid de 2022; é o saldo dos cinco anos, e em 2020 houve ganho).
- −60% no Farmácia Popular no projeto de Orçamento de 2023, enviado pelo governo Jair Bolsonaro em 2022: R$ 1,02 bilhão; o orçamento foi recomposto pelo Congresso, para R$ 2,98 bilhões (Ministério da Saúde).
- Só a inflação para o piso da saúde é o que a equipe de Flávio estudou (Correio Braziliense, 22/04/2026).
A comida nos dois governos
A alta de 2020 a 2022 teve causa global (pandemia, câmbio, preço das commodities). O que dependeu do governo foi o reajuste diante dela.
O preço de cada alimento nos dois governos →Não pergunte se vão cortar. Pergunte qual vai ser o reajuste.
Em janeiro, compare a inflação do ano com o aumento do mínimo.
Como a conta é feita (toque para abrir)
- Regra de hoje: o mínimo sobe pela inflação (INPC, o índice de preços do IBGE para as famílias de renda mais baixa) mais o crescimento do PIB de dois anos antes, entre 0,6% e 2,5% até 2030 (Lei 14.663/2023, art. 3º; Lei 15.077/2024, art. 4º). Em 2027, 2,3% (PIB de 2025, IBGE).
- Só inflação: o mínimo e o benefício sobem apenas pelo INPC, e o poder de compra fica parado no de 2026.
- O número principal usa 2% de aumento real ao ano de 2028 a 2030; o “pelo menos” usa 0,6%, o menor que a lei permite.
- Acima do mínimo, o benefício já é corrigido só pelo INPC (Lei 8.213/1991, art. 41-A). A diferença só aparece se o mínimo o alcançar, porque ninguém recebe menos que um mínimo (Constituição, art. 201, § 2º).
- Em reais de hoje, com treze pagamentos por ano. As comparações usam os preços de setembro de 2026: cesta básica de São Paulo a R$ 923 (DIEESE), botijão a R$ 114 (ANP) e os três genéricos mais baratos de pressão, diabetes e colesterol a R$ 86 por mês (preço máximo da CMED). A conta não prevê preço de nada.
- Não diz que alguém vai cortar a sua aposentadoria: o programa de governo não diz isso. Diz quanto custa o reajuste só pela inflação, que a equipe dele estudou.
Fontes
- Leis: Constituição, art. 201, § 2º; Lei 8.213/1991, art. 41-A; Lei 14.663/2023, art. 3º; Lei 15.077/2024, art. 4º. Decreto 12.797/2025 (mínimo de 2026).
- IBGE: Contas Nacionais (PIB de 2025); INPC (SIDRA 1736); Síntese de Indicadores Sociais 2025.
- Ministério da Previdência, Boletim Estatístico da Previdência Social, junho de 2026, quadros 16 e 17.
- IFI (Senado), Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 112, maio de 2026. DIEESE, Nota Técnica 289 (2025).
- Câmara dos Deputados, Consultoria de Orçamento, Estudo 32/2025 (salário mínimo); projeção atuarial do PLDO 2026 (o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias).
- Projeto de Orçamento de 2027 (Ministério do Planejamento, 31/08/2026), via Poder360.
- Correio Braziliense, 22/04/2026; Exame, 14/09/2026; Reuters, via InfoMoney, 25/09/2026; Folha de S.Paulo, out. 2026, via InfoMoney, 08/10/2026; Poder360, 08/10/2026; Folhapress, 14/10/2026.
- Saúde: Anvisa, CMED (09/10/2026); Ipea, Nota Técnica Disoc 109 (2023); Conselho Nacional de Saúde, Recomendação 016/2025; Ministério da Saúde, apresentação à Câmara (03/09/2025); Agência Brasil, 15/02/2025.
- Preços: DIEESE, Pesquisa Nacional da Cesta Básica (São Paulo); ANP, Levantamento de Preços (GLP 13 kg).
- Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil, reprodução autorizada com indicação da fonte; duotone da Vigília.
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